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Presidente do Sebrae reforça apoio à economia criativa em visita a Campina Grande e destaca potencial das juninas

Rodrigo Soares visitou a junina Moleka 100 Vergonha, Salão do Artesanato e apresentou pesquisa que mostra investimentos de até R$ 400 mil por grupo popular
Por Valdívia Costa
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Muito além da tradição dos festejos juninos, as quadrilhas têm se consolidado como importantes empreendimentos da economia criativa brasileira. Com capacidade para gerar entre 30 e 60 empregos diretos, mais de 100 postos de trabalho indiretos e movimentar até R$ 400 mil/ano em investimentos por grupo, a Moleka 100 Sem Vergonha foi um dos empreendimentos visitados, na terça-feira (23), pelo presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares. O 42º Salão do Artesanato Paraibano foi o outro ponto visitado em Campina Grande.

Rodrigo Soares reforçou o compromisso da instituição com o fortalecimento da economia criativa. Segundo ele, o Sebrae atua para transformar manifestações culturais em oportunidades de negócios, geração de renda e inclusão social.

“O Brasil precisa continuar promovendo o acesso das pessoas à sua cultura, com o Sebrae apoiando os sonhos dos brasileiros. Apoiamos quem empreende na cultura popular, desde a organização das quadrilhas juninas até a produção de figurinos, música, dança e gastronomia. Nosso papel é oferecer suporte na gestão desses negócios para que a cultura permaneça viva e, ao mesmo tempo, gere renda, cidadania e desenvolvimento econômico, especialmente em Campina Grande, a terra do Maior São João do Mundo”, destacou Rodrigo Soares.

O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, em visita ao Salão do Artesanato Paraibano (Foto: Sebrae Paraíba)

Para o diretor técnico do Sebrae/PB Lucélio Cartaxo, o reconhecimento das manifestações culturais como ativos econômicos fortalece toda a cadeia produtiva do estado. “O Salão do Artesanato é um patrimônio para os paraibanos e uma importante fonte de renda para milhares de famílias. A expectativa é receber mais de 100 mil visitantes, movimentando não apenas o artesanato, mas também a gastronomia, a música, o turismo e diversos pequenos negócios. É um ambiente que impulsiona a economia criativa e fortalece o desenvolvimento da Paraíba”, afirmou.

Potencial econômico das quadrilhas juninas

Durante a visita, o presidente do Sebrae Nacional também apresentou resultados da pesquisa “Quadrilhas Juninas no Brasil”, estudo que busca ampliar o conhecimento sobre a dimensão econômica e social dessas manifestações culturais, muitas vezes reconhecidas apenas pelo aspecto artístico.

O levantamento mostra que as quadrilhas juninas vêm passando por um processo de profissionalização, consolidando-se como verdadeiros empreendimentos culturais. Além de preservar tradições, os grupos movimentam uma ampla cadeia produtiva, envolvendo costureiras, bordadeiras, aderecistas, profissionais das artes cênicas, músicos, cenógrafos, técnicos de som, empresas de iluminação, pirotecnia e diversos prestadores de serviços.

Visita a sede da quadrilha junina Moleka Sem Vergonha (Foto: Sebrae Paraíba)

Entre os dados apresentados, chama atenção o investimento realizado na produção dos espetáculos. Um único figurino pode custar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil, enquanto grandes quadrilhas chegam a investir até R$ 400 mil por temporada. Parte desses recursos é obtida pelos próprios integrantes, por meio de rifas, campanhas e ações de arrecadação, evidenciando o espírito empreendedor presente no movimento.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a necessidade de ampliar a formalização dos profissionais envolvidos. Muitos trabalhadores ainda atuam na informalidade, e a ampliação do teto do Microempreendedor Individual (MEI) é apontada como uma alternativa para fortalecer esses pequenos negócios e ampliar o acesso a crédito, capacitações e políticas públicas.

Moleka é premiada no Brasil e no Nordeste

Foto: Sebrae Paraíba

Reconhecida como uma das quadrilhas mais estruturadas do país, a Moleka 100 Sem Vergonha foi apresentada como referência nacional em gestão cultural. Com apoio do Sebrae, o grupo desenvolveu projetos como o Quadrilhando, que transformou as apresentações juninas em um produto turístico voltado tanto para visitantes quanto para a população local, ampliando as oportunidades de geração de renda.

Além dos espetáculos, a quadrilha expandiu sua atuação para áreas como teatro, festivais, produção artesanal e captação de recursos por meio de editais e leis de incentivo, tornando-se um modelo de empreendedorismo cultural. A experiência deverá ser compartilhada com outros grupos brasileiros em um encontro previsto para setembro, que pretende disseminar práticas de profissionalização e fortalecer as quadrilhas juninas como empreendimentos capazes de impulsionar a economia local e regional.

Também participaram das visitas o diretor técnico do Sebrae/RN, João Hélio, e o gerente da Agência Regional do Sebrae em Campina Grande, João Alberto Miranda.