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Sebrae apoia coleção autoral “Sol Rupestre” lançada no Congo Tá Na Moda 2026

Imersão criativa transformou referências culturais do cariri, como as inscrições rupestres, em moda autoral, fortalecendo artesãs locais
Por Valdívia Costa
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O município do Congo, no cariri da Paraíba, viveu dias de criatividade, identidade cultural e empreendedorismo com a realização do Congo Tá Na Moda 2026. Mais do que um festival de moda, o evento se consolidou como uma vitrine de transformação social e econômica, reunindo artesãs, estilistas, empreendedores, instituições de ensino e parceiros em torno da valorização da moda autoral e do artesanato regional.

Congo Tá na Moda_artesãs/ Foto: Sebrae/PB

Com apoio do Sebrae/PB, um dos destaques da programação foi o lançamento da coleção criativa Sol Rupestre, inspirada nas inscrições rupestres presentes no território do Congo e construída coletivamente por artesãs da cidade. A gerente da agência regional do Sebrae/PB em Monteiro, Madalena Arruda, destacou que o evento mostrou a força da união entre inovação, propósito e valorização cultural.

“O Congo Tá Na Moda promoveu transformação real na vida dos artesãos, estilistas e empreendedores locais, fortalecendo a autoestima da população e colocando o município em evidência em toda a Paraíba”, comentou Madalena.

A coleção Sol Rupestre nasceu durante a Imersão em Moda e Artesanato, realizada de 6 a 10 de abril, por meio de uma parceria entre a Prefeitura do Congo e o Sebrae/PB. A capacitação foi conduzida pelas instrutoras Amanda Mota e Lucyana Azevedo e reuniu artesãs do município e da cidade de Monteiro. Durante cinco encontros, o grupo mergulhou em conteúdos voltados à moda autoral, planejamento de coleção, design, modelagem, análise de materiais e construção de identidade visual.

A proposta foi aproximar o universo do artesanato das práticas contemporâneas da moda, incentivando a criação coletiva de peças que representassem a cultura local. Logo nos primeiros encontros, as participantes compartilharam suas trajetórias e apresentaram técnicas como crochê, fuxico, renda renascença, macramê, couro de peixe, retalhos têxteis, ponto russo e acessórios artesanais.

A partir de pesquisas sobre referências culturais do município, o grupo definiu como tema central as inscrições rupestres existentes no território do Congo. Entre os elementos observados, o Sol Rupestre se destacou como símbolo de forte identidade cultural da cidade. As artesãs passaram a desenvolver estudos visuais baseados em formas, cores e texturas inspiradas nas gravuras rupestres, transformando esses elementos em roupas, acessórios e composições artesanais autorais.

Apoio do cariri
A secretária adjunta de Assistência Social e Desenvolvimento Econômico e Coordenadora do Festival Congo tá na moda, Ana Caroline Batista Calú, uma das articuladoras do projeto, explicou que a iniciativa surgiu para incentivar uma moda mais criativa e sustentável no município, aproveitando resíduos têxteis gerados pelas confecções instaladas na cidade. Segundo ela, o objetivo despertou nas artesãs um novo olhar para a moda autoral, utilizando retalhos e sobras de tecidos para a criação de peças exclusivas e sustentáveis. Carol também destacou os resultados positivos alcançados durante o festival, que foi cerca de 70% das peças produzidas para o desfile comercializadas no território.

A programação do Congo Tá Na Moda reuniu uma série de atividades voltadas ao empreendedorismo, à qualificação profissional e à valorização cultural. Entre os destaques estiveram o Café de Negócios com a empresária Sabrina Suênia, CEO da Passarela Fitness, oficinas promovidas pelo Senai e IFPB sobre reaproveitamento têxtil, desenho de moda, estamparia e macramê, além de palestras sobre acesso ao crédito, comportamento do consumidor, tendências de moda, vendas e empreendedorismo no setor confeccionista.

Congo Tá na Moda_desfile/ Foto: Sebrae/PB

Destaques e desfiles de moda
Um dos momentos mais aguardados do evento foi a palestra master “Sertão Empreendedor: Costurando o Futuro do Cariri”, ministrada por Eduardo Cristian, conhecido como o Embaixador das Confecções, que abordou o potencial econômico da moda regional e o fortalecimento da cadeia produtiva do setor no interior nordestino.

Os desfiles também atraíram grande público ao Parque de Eventos do município. A coleção Sol Rupestre abriu a sequência de apresentações criativas, seguida pelo desfile do IFPB, com o tema “Ressignificando Moda e Memórias: da Zona da Mata Paraibana ao Cariri Ocidental”, e pela mostra Capacita Congo. O evento ainda contou com exposição de marcas, apresentações culturais e shows musicais.

Além da movimentação econômica, o festival consolidou um importante processo de fortalecimento coletivo entre as artesãs da região. A experiência estimulou o trabalho colaborativo, a construção de identidade cultural e o desenvolvimento de uma moda conectada às raízes do Cariri paraibano. O resultado foi um evento que uniu tradição, criatividade e inovação, transformando referências históricas do território em peças carregadas de significado, pertencimento e oportunidade de geração de renda.