Cerca de 100 donos de pequenos negócios do segmento de comércio da Grande João Pessoa atendidos pelo Brasil Mais-ALI, programa gratuito desenvolvido pelo governo federal com apoio do Sebrae, participaram, na noite desta terça-feira (7), de um encontro que reuniu empresários que concluíram seus respectivos ciclos em 2021. O momento teve o objetivo de celebrar a finalização da participação no programa e contou com a realização de uma palestra sobre inovação na área do comércio e um quizz sobre inovação.
O diretor técnico do Sebrae Paraíba, Luiz Alberto Amorim, destacou, durante a abertura do evento, que o programa é voltado à inovação como forma de elevar a competitividade das empresas. “As empresas que participam do Brasil Mais-ALI, ao final do ciclo, saem capacitadas e prontas a atuar no mercado de forma competitiva, mas com visão sustentável, ou seja, de forma a estarem prontas para competir hoje, amanhã e sempre”, analisou.
De acordo com a analista técnica do Sebrae Paraíba, Cláudia Pereira, que também é a gestora do Brasil Mais-ALI no estado, o encontro das empresas do programa será promovido, no próximo ano, em Campina Grande e Patos, regionais que receberam ciclos em 2021. “Os empresários passaram por uma verdadeira jornada, que foi desde o encontro individual com o agente local de inovação (ALI) até encontros coletivos, identificação de problemas e geração de protótipos para solucioná-los. Certamente as empresas não saíram da mesma forma que entraram”, comentou.
Os participantes do encontro assistiram a uma palestra ministrada pelo consultor credenciado ao Sebrae Paraíba, Guilherme Alves, que abordou a inovação no comércio. Conforme explicou, durante o período da pandemia da Covid-19, que afetou intensamente os negócios do segmento, várias ações de inovação foram feitas pelos empreendedores como forma de driblar os desafios, a exemplo de clubes de assinatura, programas de indicação e ações de marketing, como tráfego pago, utilização de google ads e Instagram como ferramenta de divulgação. Além disso, enfatizou duas tendências fortes que surgiram recentemente.
“A primeira é a live commerce, na qual as empresas passaram a vender produtos, em vez de apresentarem conteúdos, e isso trouxe uma nova dinâmica nas vendas. A outra é o omnichannel, que é quando se cria um único canal conectando o presencial e o digital. Um exemplo é quando se compra no site, mas há a opção de retirada na loja”, citou.
Agentes auxiliam a superar desafios
A ALI Alda Lira, que atende empresas da área de João Pessoa, frisou que seu papel é levar a inovação e facilitar a transformação dentro das empresas. Porém, um dos principais desafios a superar neste ano foi o reflexo da pandemia da Covid-19, especialmente no segmento do comércio. “Foco sempre nas novas oportunidades de trabalho trazidas pela pandemia, que adiantou processos. Primeiro, quebramos a barreira mental do empresário, depois transformamos a empresa. Dados apontam um aumento de mais de 60% na produtividade dos participantes do Brasil Mais-ALI na Paraíba e mais de 30% no faturamento. Isso mostra que com pequenas mudanças é possível melhorar processos já existentes e inovar”, afirmou.
Por sua vez, o agente João Antônio da Silva Neto, que atua na zona sul da capital paraibana, contou que o principal segmento em que atuou neste ano foi o de pet shops, com quase 40 estabelecimentos atendidos. “O atendimento por meio do WhatsApp e a entrega foram os itens que demonstraram maior resultado no fator competitivo. Com o aumento na busca por animais de estimação durante a pandemia, os empresários precisaram recorrer a capacitação de colaboradores e gerenciamento de vendas mais eficaz. Além disso, quem teve melhor relacionamento com o cliente saiu na frente”, frisou.
Empresários relatam experiências
O empresário Francisco Nunes, da loja de roupas esportivas Dara Fit, relatou que o principal desafio enfrentado pelo seu negócio foi o da mudança. “Participar do Brasil Mais-ALI nos ajudou nesse processo de sair da zona de conforto e pensar em inovar. Depois de participar do programa, que auxiliou com a implementação do e-commerce, o faturamento aumentou 30% e com a mesma equipe, ou seja, também ganhamos em produtividade”, disse.
Por sua vez, o empreendedor Henrique Rodrigues, da Primazia Joias, comentou que o estoque da empresa era sua principal fonte de preocupação. “É um desafio enorme porque mexe com a estrutura da empresa e foi necessário fazer mudanças, inclusive no sistema. Hoje, temos maior controle e organização de tudo e conseguimos fazer o inventário do estoque semanalmente, o que antes levávamos mais de um mês para concluir”, pontuou.
Já o empresário Fábio Henrique, da barbearia El Patron, participou do primeiro ciclo do Brasil Mais-ALI deste ano e salientou que a ideia era inovar em atendimento e vendas. “Com pequenas ações, baseadas em processo e reorganização de pessoas, aliada à estratégia de venda, conseguimos aumentar a produtividade e a retenção de clientes, que quase dobraram. Conseguimos inovar com atitudes simples, mas eficazes”, enfatizou.
