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Eixo da sustentabilidade entra no manifesto do futuro do Pacto Novo Cariri

Documento criado pelo Sebrae, assinado por todos os prefeitos do território, dissemina boas práticas no meio ambiente
Por Valdívia Costa
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A sustentabilidade passou a ocupar papel central no desenvolvimento do cariri paraibano com a inclusão do tema como um dos eixos estruturantes do Manifesto do Futuro do programa do Sebrae/PB, Pacto Novo Cariri. O documento, assinado por todos os prefeitos do território, consolida o compromisso coletivo com práticas sustentáveis, inovação e resiliência, especialmente nas cadeias produtivas rurais, reforçando a cultura empreendedora e a busca também pela autossustentabilidade financeira da região.

Logo após a formalização do manifesto, a gerente da agência regional do Sebrae/PB em Monteiro, Madalena Arruda, destacou que a atuação da instituição vai além do apoio pontual ao empreendedor. “A meta do Pacto Novo Cariri é integrar e desenvolver a região por meio de uma cultura empreendedora e sustentável, gerando oportunidades, igualdade e qualidade de vida. Em essência, a cultura empreendedora é o alicerce que permite que o cariri deixe de depender de programas de assistência para se tornar uma região autossuficiente, competitiva e com forte identidade local”, ressaltou.

O manifesto aponta diretrizes claras para transformar o semiárido em um território produtivo e ambientalmente equilibrado. Entre as propostas estão o fomento a tecnologias inovadoras capazes de viabilizar áreas irrigadas, o fortalecimento das cadeias produtivas rurais — da caprinovinocultura à fruticultura — e a valorização do bioma Caatinga, dos saberes tradicionais e das espécies nativas. A visão é tornar o cariri referência em agroecologia e convivência com o semiárido, unindo conhecimento ancestral, tecnologia e pesquisa científica.

Dentro desse contexto, a caprinovinocultura é tratada como eixo estratégico de transformação. Enquanto a cadeia do leite apresenta maior organização, o segmento de corte ainda demanda avanços em padronização, certificação e acesso a mercados. O manifesto também reconhece o potencial de outras atividades, como a pesca e a criação de galinha caipira, que já apresentam bons resultados e podem ser ampliadas de forma sustentável, com integração de políticas públicas, tecnologia e cultura, garantindo justiça social e ambiental.

Na prática, essas diretrizes se refletem nas consultorias do Sebrae/PB em Monteiro, que incorporam princípios Ambientais, Sociais e de Governança (ASG). “Entre as ações, estão o protagonismo das mulheres no comando das unidades produtivas, o cultivo de vegetais em sistemas hidropônicos com reaproveitamento de água e materiais, a abertura de oportunidades de negócios por meio dos mercados institucionais, a eficiência energética com uso de telas sombreadas e painéis solares, além do tratamento de resíduos orgânicos para produção de compostagem”, completou Madalena Arruda.

Horta de alface/Foto: Sítio Tingui

Metas alcançadas
Os resultados alcançados pela agência regional do Sebrae/PB em Monteiro em 2025 reforçam a sustentabilidade como educação e cultura no território.

Para a agricultora e empreendedora rural Maria Verônica de Oliveira, do sítio Tingui, em Monteiro, os avanços registrados em 2025 refletem uma mudança profunda na forma de produzir. “Hoje, a gente consegue ver, na prática, os resultados desse trabalho da agência de Monteiro. Saímos de um modelo que não considerava o meio ambiente para uma produção orgânica, com controle e prevenção, que nos tornou referência na região. Implantamos sombreamento, irrigação por gotejamento, reaproveitamento de água e energia solar, o que reduziu custos e melhorou muito a qualidade da produção”, afirmou.

Segundo ela, o início dessa transformação veio com o Projeto Agroecológico Integrado Sustentável (PAIS), que possibilitou a rotação de culturas em menos espaço e maior diversidade de alimentos. “Hoje trabalhamos com canteiros alongados, mantendo a rotação de culturas e tecnologias que respeitam o meio ambiente. Esse apoio fez toda a diferença para que a gente produzisse mais, gastando menos e cuidando da terra”, concluiu.