-
A pandemia da Covid-19, que afeta o mundo desde o ano passado, fez com que o perfil qualitativo das mulheres à frente de um negócio mudasse em 2020: entraram mulheres mais inexperientes e saíram as com mais tempo de empreendedorismo. De acordo com o relatório da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, realizada no Brasil pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), grande parte das empreendedoras já estabelecidas, ou seja, aquelas com mais de 3,5 anos à frente de um negócio, se viram obrigadas a abandonar as suas empresas.
O relatório aponta que, em 2020, a taxa de empreendedorismo total no Brasil atingiu o menor patamar dos últimos oito anos e caiu para 31,6%. Isso representa uma redução de 18,33% quando comparada com a taxa de 2019, que foi de 38,7%. Com esse resultado, o Brasil caiu do 4º lugar em taxa total de empreendedorismo no mundo para o 7º lugar.
As mulheres, juntamente com os jovens, os empreendedores de baixa renda e de pouca escolaridade, influenciaram no resultado da taxa de empreendedorismo estabelecido, que passou de 16,2% para 8,7% no ano passado. Esta é a maior redução já registrada nos últimos 17 anos. Em contrapartida, as mulheres, juntamente com esse grupo, também movimentaram o número dos empreendedores iniciais, aqueles com até 3,5 anos de fundação, que registraram a maior taxa da série histórica do estudo, atingindo 23,4%.
A gerente da Unidade de Gestão Estratégica e Monitoramento do Sebrae Paraíba, Ivani Costa, destacou que a crise do novo coronavírus atingiu diversos negócios, impactando especialmente os liderados por mulheres. “Porém, chorar e lamentar não faz parte do perfil dessas empreendedoras, a pandemia levou as mulheres a se reinventarem, investindo em formatos de negócios digitais e híbridos. Diante desse novo cenário, criaram produtos, serviços, formas e circunstâncias dentro dos seus negócios para atender a atual situação. A cada dia, as mulheres se destacam mais no mundo empresarial e mostram que vieram para ficar”, enfatizou.
Ainda conforme o relatório GEM 2020, no ano passado, as mulheres corresponderam a aproximadamente 46% dos empreendedores iniciais, número um pouco superior ao registrado em 2006, quando a taxa era de 43,8% e mais de quatro pontos percentuais inferior ao registrado em 2019, quando as empreendedoras representavam metade dos empreendedores iniciais.
